4 de novembro de 2015

A assistência técnica, o êxodo ao contrário e a vida melhor para uma família de Ceará Mirim/RN que optou por morar no campo

É comum ouvir falar de histórias tristes de famílias que saíram da zona rural do Nordeste em busca de melhor qualidade de vida no sudeste ou nos grandes centros da própria região. Mas existem pessoas fazendo percursos inversos e construindo dignidade para si e suas famílias a partir da produção de alimentos saudáveis que se baseiam na produção agroecológica e no trabalho que leva em conta as especificidades climáticas locais. Existe um caso desses no assentamento Santa Águeda, na zona rural de Ceará Mirim/RN.

    A caminhoneta, o micro trator e o filho de 15 anos se preparando para estudar no IFRN são os troféus exibidos como resultado bem sucedido da escolha feita pelo casal Cícero e Sandra, moradores do assentamento Santa Áqueda, em Ceará Mirim/RN, município localizado no Território da Cidadania do Mato Grande. O casal bem que tentou sair da roça para cidade e até que conseguiu emprego na sede do município. “Eu fui um faz-tudo num comércio. Era cabeceiro, balconista e arrumava os produtos na prateleira. O dinheiro era pouco, mas pagava as contas. O que me faltava era alegria de trabalhar naquilo que cresci fazendo e aprendi a gostar”, relata Cícero.
A decisão de voltar para o lote de 7 hectares, no assentamento Santa Águeda, foi difícil porque o tamanho da terra disponível parecia insuficiente para sustentar o casal e o filho adolescente. E de fato, os primeiros 7 canteiros de hortaliças não garantiram o sustento pleno. No entanto, antes de voltar mais uma vez para a cidade, a mudança chegou com a assistência técnica e um pouco de recurso para fomento da produção agrícola. Através de um convênio firmado entre a ONG TECHNE e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a família passou a planejar a produção, escalonar o plantio dos canteiros, incluir em novas formas manejo da terra e recebeu um investimento inicial de R$ 2.400,00. “A primeira coisa que eu fiz foi garantir meus compradores. Eu fui logo aproveitar a entressafra e levei as minhas hortaliças para oferecer novamente aos comerciantes que eu já havia oferecido, mas não quiseram porque achavam que eu não tinha condições de sustentar o fornecimento. Hoje eu tenho 30 clientes certos entre restaurantes, bares e lanchonetes”, comemora Cícero. A vida da família mudou e atualmente, o casal chega a empregar até 4 pessoas para ajuda-los nos períodos de colheitas maiores. “o meu sonho vai se completar quando o meu filho entrar no IFRN. Ele está se dedicando para fazer o teste e agora a gente tem condições de bancar os estudos dele”, prevê a esperançosa Sandra. Outro benefício do trabalho é toda produção conseguiu aumentar a área e elevar a renda fazendo a conversão agroecológica. “A nossa equipe técnica estimula e ensina como fazer a rotação de cultura, a compostagem orgânica e outras atividades que fortalecem a produção sem custos significativos para a produção”, explicou Iracema Evangelista, coordenadora da equipe técnica que dá assistência as famílias do assentamento Santa Águeda.
11 famílias com assistência técnica sistemática no RN De acordo com o Delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário do Rio Grande do Norte, o engenheiro agrônomo Caramurú Paiva, através de convênios do MDA/Governo Federal com entidades prestadoras de assistência técnica, governamentais e não governamentais, atualmente estão sendo atendidas 11.000 famílias de todas as regiões do Estado. “A demanda por assistência técnica de qualidade é um ponto comum em todas as pautas dos movimentos sociais e sindical ligados ao campo”, comentou o agrônomo.
As vésperas da 2ª. Conferência Nacional de Assistência Técnica, o representante do MDA falou que existem muitos casos de sucesso da agricultura familiar por um novo modelo de assistência técnica que promove a autonomia das famílias rurais e estimula a conversão agroecológica. “Ainda tem muitos desafios para universalização da assistência técnica de qualidade. São problemas relacionados ao financiamento e gestão bem como as questões da metodologia e do acesso as políticas públicas. Tudo isso se resume no tema da conferência que neste ano é ATER, agroecologia e alimentos saudáveis”, analisa Zuleide Araújo, coordenadora da Rede PARDAL de assistência técnica.
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