7 de dezembro de 2015

PE: aedes e microcefalia são as novas agonias do sertão arrasado pela seca

PE: aedes e microcefalia são as novas agonias do sertão arrasado pela seca

A seca que tanto atormenta o sertanejo desde 2012 passou, por ora, a dividir o posto de maior preocupação no semiárido. Nos últimos dias, o quarteto de problemas formado por dengue, zika, febre chikungunya e, especialmente, microcefalia caíram como uma bomba em uma região de reservatórios e pastos secos pela pior estiagem em 50 anos.

UOL visitou cidades do sertão de Pernambuco, entre elas as que aparecem no topo da lista de casos suspeitos de microcefalia e de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti. Mães, grávidas e profissionais de saúde não aparentam outro sentimento que não o medo. Tudo isso em meio a cidades extremamente pobres e de estruturas de saúde pública deficientes.
A dengue nunca foi um problema que chamou a atenção no sertão, onde a seca afastava os mosquitos. Mas agora, associada com a zika, a chikungunya e a microcefalia, causa pânico. A alta dos casos da doença no Estado foi de 589% em 2015.
Um dos fatores que levou à explosão da doença é que, desde o início do ano, o sistema de abastecimento entrou e colapso e ninguém mais recebe água encanada, só por meio de carro-pipa. Caixas d’água foram instaladas nos bairros, e os mais pobres só têm acesso a água levando baldes e os levando para casa.
Com os açudes secos, a população recorre a reservatórios improvisados para juntar água –que, em Pernambuco, representam 82% dos focos do mosquito.

A combinação temida

Entre as gestantes, o clima de medo é até difícil de descrever em palavras.
No município de Pedra (258 km do Recife), que tem o dobro de casos de dengue que a média estadual (2.663 casos por 100 mil habitantes) e mais de 110 casos notificados em apenas uma semana, uma mulher teve a combinação mais temida: sintomas de zika no primeiro trimestre da gravidez. Por conta do problema, teve ameaça de aborto e foi parar duas vezes em hospitais da região, na semana passada.
“Agora estou melhor, mas ainda muito assustada. Fiz um ultrassom, e disseram que não houve nada com o bebê. Na próxima semana está marcada outra. Espero que não dê nada”, diz Valderês Leal Dourado, 41, grávida do primeiro filho e com 10 semanas de gestação.
A estrutura pública de saúde na cidade é precária. No sertão, é feita somente a medição do crânio após o parto para detectar possíveis casos de microcefalia. Exames de sangue e de imagem, somente no Recife –e em viagens que duram até mais de 8h.
Na única unidade hospitalar da cidade, a superlotação se tornou um problema. A coordenadora de enfermagem da unidade, Josenice Gomes, afirma que, por conta da epidemia, a média de atendimentos em outubro saltou de 70 para 300 –hoje está em torno de 120 a 130 pessoas.
No local há 22 leitos, sendo dez na observação. “Mas chegamos a ter coisa de 60 pessoas ao mesmo tempo ocupando tudo. Pacientes tiveram que dividir cama”, conta.
E novos pacientes não param de chegar. “Estou sentindo uma agonia tão grande, uma moleza, uma dor nas pernas e nas costas. Acho que 80% das pessoas que conheço já tiveram a doença”, afirma Maria Sirleide Cavalcanti, 45, que durante visita da reportagem ao hospital era medicada com suspeita de zika ou dengue.
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