30 de agosto de 2016

Desesperado, Marido mata mulher e depois se joga de prédio com os dois filhos por não ter mais recursos para sustentar-los

Quatro pessoas da mesma família morreram, na manhã desta segunda-feira, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, do Rio. Nabor Coutinho Oliveira Junior, 43 anos, jogou seus dois filhos, Arthur Khouri, 7 anos, e Henrique Khouri, de 10, pela janela do 18º andar, após ter matado a mulher, Lais Khouri, 48, a facadas dentro do apartamento onde viviam. Após os crimes, ele se jogou da janela do prédio
O crime ocorreu na Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, no Condomínio Pedra de Itaúna. Porteiro do prédio há 14 anos, Wilton Santos contou que as vítimas eram tranquilas e nunca ouviu falar de problemas envolvendo o casal.

“Eu vi as crianças ainda na barriga da mãe. A família era muito tranquila. O pai era reservado e sério, mas ela era uma mulher muito extrovertida e simpática. Nunca ouvimos sinais de brigas ou algo que desabonasse a conduta deles aqui. Ele (Nabor) sempre descia para brincar com os meninos, eles jogavam bola aqui. Ninguém esperava isso. Fomos pegos de surpresa”, afirmou.

“Eu acordei 6h20 para chamar o menino para a escola. Ouvi os barulhos, como se fosse de tiro e chamei a minha patroa, disse que estava acontecendo alguma coisa. Olhei pela janela e vi o primeiro corpo. Eu a chamei e, quando olhei para baixo, vi os outros dois corpos”, contou a doméstica Lucina Salviano da Silva, que trabalha no condomínio.
Marcia Kandelman, que mora no prédio de 23 andares, disse que estava em casa com o marido quando ouviu gritos por volta de 6h30. Ela afirmou ter a impressão de que as crianças foram jogadas vivas pela janela, já que a rede de proteção do apartamento estava rasgada.
Um outro vizinho do condomínio afirmou que a família era bem estruturada e que os meninos estudavam no mesmo colégio que seus filhos, a Escola Parque, mas que não eram da mesma turma. Equipes da Divisão de Homicídios (DH) foram ao local para realizar perícia.

Dentro do apartamento das vítimas, a Polícia Civil encontrou uma carta que teria sido escrita por Nabor. “Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão, mas melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos. Está claro pra mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante. Não vamos ter mais nada e não vou ter como sustentar a família”, escreveu.
De acordo com o delegado titular da DH, Fábio Cardoso, Lais foi encontrada com cortes do pescoço. Já as crianças e o homem estavam caídos perto da piscina. Segundo ele, vizinhos e alguns moradores já foram ouvidos e a suspeita inicial de que Nabor teria matado a mulher, jogados os filhos e depois se atirado. “A DH não descarta nenhuma linha de investigação”, disse.
Sobre a carta, o delegado afirmou que o documento foi apreendido e que uma perícia será feita para mostrar se ela foi escrita por Nabor. “Familiares do homem, que são de Belo Horizonte, estão vindo para o Rio para prestar depoimento”. Cardoso disse que Nabor estaria com problemas pessoais e profissionais, e não financeiros. “Eles eram bem discretos. Não tinham envolvimento com drogas ou casos parecidos. Imagens das câmeras de segurança já foram apreendidas”, pontuou.
Nabor estava em um projeto pessoal desde junho, após trabalhar por mais de 10 anos na TIM. Seu último cargo tinha sido “Senior Marketing Manager of Innovative Services”. De acordo com a empresa, “ele havia se desligado em julho, por vontade própria, para assumir um cargo em outra empresa”.
Em nota, a empresa de telefonia lamentou o episódio. “É com profundo pesar que todos os colaboradores da TIM Brasil receberam a trágica notícia da morte do ex-funcionário Nabor Coutinho e sua família. Nabor era um profissional respeitado e querido por toda equipe e havia se desligado voluntariamente da companhia no último mês de julho, depois de muitos anos de colaboração, para se dedicar a um novo desafio em sua carreira. A TIM está solidária aos familiares e amigos”.
Lais trabalhava com Marketing e Comunicação há mais de 20 anos. Ela se formou pela Universidade Federal de Minas Gerais e atualmente trabalhava com gestão de pessoas.

Leia um trecho da carta:
6: (…) “Me preocupo muito deixar minha família na mão. Sempre coloquei eles à frente de tudo e até nessa decisão arriscada para ganhar mais. Mas está claro para mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante. Não vamos ter mais nada e não vou ter como sustentar a família. E da forma como tudo ocorreu sei que meu nome vai ficar queimado nesse mercado de VAS. Não vou ter aonde trabalhar.
7) “Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão. Mas melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos.
8) “E nos últimos dias passei a ser menos envolvido ou copiado ou copiado nos e-mails dos projetos que estão rolando. Pode ser cisma minha, mas parece já um sinal de que não me querem mais lá.
9)”Ainda não conseguimos contratar o novo plano de saúde porque estava aguardando a criação do CNPJ. Agora que saiu está com o (empresa) para avaliar preço. Com o histórico médico da Laís e do Arthur será que aprovam? Será que não vai ficar super caro?
10) “Esse contrato que assinei com eles é completamente desproporcional. (…)”, diz um trecho da carta encontrada pela polícia.


O Dia
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