16 de janeiro de 2017

Após PM sair, presos ocupam telhado e trocam ameaças em presídio no RN

Governo nega rebelião, mas reconhece 'tensão'; PM manda Choque e Bope.
Penitenciária foi palco de rebelião que durou 14 horas e deixou 26 mortos.

Presos voltaram a ocupar os telhados dos pavilhões co paus, pedras e bandeiras com siglas de facções criminosas (Foto: Andrea Tavares/G1)Presos voltaram a ocupar os telhados dos pavilhões de Alcaçuz com paus, pedras e bandeiras com siglas de facções criminosas (Foto: Andrea Tavares/G1)

G1 - Após a saída da Polícia Militar da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, na tarde de domingo (15) os presos voltaram a ocupar os telhados dos pavilhões e trocar ameaças entre eles nesta segunda-feira (16). A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) nega que a rebelião tenha sido retomada. O Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) foi acionado. A PM entrou na área dos pavilhões novamente por volta das 11h50 desta segunda e os detentos desceram dos telhados.
A tensão acontece após a rebelião que durou pouco mais de 14 horas entre sábado e domingo e deixou 26 mortos. A PM entrou na penitenciária por volta das 7h de domingo e ficou nos pavilhões até as 18h do mesmo dia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesed), policiais ficaram na área administrativa da penitenciária durante toda a noite.
Os presos subiram nos telhados dos pavilhões com pedras, paus e facas nas mãos e com bandeiras com as siglas de duas facções criminosas. O vídeo acima mostra a situação na unidade. Os presos aparecem gritando frases como "a vitória é nossa". Na Penitenciária de Alcaçuz, os presos ficam soltos dentro dos pavilhões porque as grades das celas foram arrancadas em uma rebelião em 2015.

A Sejuc informou que a situação está tensa em Alcaçuz, mas que "não se configura uma nova rebelião" e que "hoje será um dia de operações na unidade com os grupos especiais da Sejuc e Sesed, além dos agentes penitenciários".
Presos voltaram a ocupar os telhados dos pavilhões co paus, pedras e bandeiras com siglas de facções criminosas (Foto: Andrea Tavares/ G1)Presos ocupam os telhados dos pavilhões de Alcaçuz (Foto: Andrea Tavares/ G1)
Uma revista para buscar possíveis armas estava marcada para o início da manhã desta segunda-feira, mas um motim no Presídio Raimundo Nonato fez com que o Grupo de Operações Especiais (GOE) se deslocasse para aquela unidade e atrasou o início da revista em Alcaçuz.
Rebelião
Com 26 mortos, a rebelião na Penitenciária de Alcaçuz foi a mais violenta da história do Rio Grande do Norte.

O motim começou com uma briga entre presos dos pavilhões 4 e 5 por volta das 17h de sábado (14). De acordo com a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Vilma Batista, homens em um carro se aproximaram do presídio antes da rebelião e jogaram armas por sobre o muro.
Segundo o governo, a briga estava restrita aos dois pavilhões. O pavilhão 5 é o presídio Rogério Coutinho Madruga, que fica anexo a Alcaçuz. Presos de facções criminosas diferentes ficam separados nas unidades.
De acordo com a Sejuc, os próprios presos desligaram a energia do local e, com isso, os bloqueadores de celulares deixaram de funcionar. Durante a madrugada, foram ouvidos tiros dentro da prisão e muita fumaça era vista no local.
Na manhã deste domingo, militares do Bope e do Choque, além do Grupo de Operações Especiais formado por agentes penitenciários, entraram em Alcaçuz com veículo blindado, vans e carros para acabar com rebelião. Ela foi controlada por volta das 7h20, mais de 14 horas depois do início.
Alcaçuz fica em Nísia Floresta, cidade da Grande Natal, e é o maior presídio do estado. A penitenciária possui capacidade para 620 detentos, mas abriga cerca de 1.150, segundo a Sejuc, órgão responsável pelo sistema prisional do RN.
Polícia faz revistde presos (Foto: Adriano Abreu/Tribuna do Norte)Após rebelião de 14h, presos passaram por revista nesse domingo (15) (Foto: Adriano Abreu/Tribuna do Norte)
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